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A família, um sonho de Deus

27 Novembro 2015

Etiquetas: Agradecimento, Família Escrivá, Família
Publicamos uma carta escrita por Enrique Monasterio a José Escrivá Corzán, pai de S. Josemaria, e publicada no blog "Pensar por libre".
No dia 27 de Novembro completa-se mais um aniversário do falecimento de D. José Escrivá.
A mãe e o pai de S. Josemaria
A mãe e o pai de S. Josemaria

Leia a notícia no blog "Pensar por libre".

Querido D. José…, Permites que te chame "avô" como faço quando estou em família ou quando falamos sem palavras, tu e eu a sós? Foste o pai de um grande santo. Bem o sabes, porque agora está a teu lado no Céu. Se calhar ajuda-lo a classificar a correspondência que recebe daqui da terra. É uma tarefa simples porque aí têm um correio muito mais veloz e eficaz do que o da Internet, e certamente te alegras vendo que já somos milhões os que diariamente recorremos à intercessão de S. Josemaria sem problemas de wifi nem de cobertura.

Foste comerciante em Barbastro nos começos do séc. XX, comproprietário de "Juncosa y Escrivá", um estabelecimento que, segundo reza o cartaz publicitário da época, vendia tecidos "nacionais e estrangeiros" e fazia "requintados chocolates feitos à mão, premiados com medalha de ouro".
Contudo, receio que não te correram bem os negócios. A traição inesperada de um sócio e a crise - sempre há uma crise à espreita -, obrigaram-te a fechar a loja. Talvez pudesses ter salvo algo mais, mas preferiste carregar sobre os teus ombros todo o peso da falência e indemnizar com generosidade os teus empregados.

Foste um senhor na prosperidade e na pobreza. Também quando trabalhavas como empregado de comércio em Logronho e tinhas de levar avante a empresa mais importante da tua vida; a tua família. Com a tua esposa, Dolores Albás, tiveste seis filhos, quatro meninas e dois meninos. A mais velha chamava-se Carmen; depois vieram Josemaria, Chon, Lolita e Rosario. Por último, quando Josemaria já tinha entrado no seminário, nasceu Santiago.

Eras um grande pai; generoso e recto. S. Josemaria recordava que foste "muito amigo de dar esmola", e chegou a afirmar que te devia a sua vocação. O Senhor abençoou-te como faz aos seus prediletos, com a cruz. Foram três golpes duros e inesperados: no curto espaço de quatro anos morreram as tuas três filhas mais novas. Eram umas meninas ainda pequeninas. Só tinham oito, cinco e um ano.

Não muito tempo depois Josemaria disse-te que queria ser sacerdote, e pareceu que se desfazia o teu último sonho. O teu filho viu-te chorar pela primeira vez. Mas tu sabias que aquilo era de Deus e não quiseste ser um obstáculo.

Que grande família! Agora estais juntos no Céu, e mais unidos do que nunca. "Até que a morte nos separe", costumam dizer os esposos. Mas a morte não separa; une e reúne eternamente os que souberam viver desvivendo-se nesse ecossistema de amor a que chamamos "família".
Tiveste uma esposa santa a quem sempre chamei "a avó", e uma filha mais velha - "tia Carmen" -, que renunciou a ter vida própria para ajudar S. Josemaria a pôr em andamento os trabalhos da sua Obra. As tuas três filhas mais novas receberam-te no Céu quando o Senhor te chamou, a 27 de Novembro de 1924. Só tinhas 57 anos e estavas esgotado, espremido como um limão. O teu filho Santiago, o mais novo, coroou-te de netos e bisnetos.

Querido avô, como sabes, acaba de terminar em Roma um Sínodo sobre a família. Alguns meios de comunicação tentaram convertê-lo numa espécie de parlamento destinado a substituir o matrimónio tal como Deus o quis desde o princípio por uma instituição frágil, submetida aos caprichos e ideologias do momento.

A Igreja - como não podia ser de outro modo – resistiu a todas as pressões e apresentou ao mundo o modelo da Sagrada Família de Nazaré e o de tantas famílias, como a tua, que são chamadas a ser fermento, levedura, para salvar este nosso mundo que algumas vezes parece empenhado em suicidar-se. Já o disse o Santo Padre Francisco: o matrimónio não é uma invenção humana "nem uma utopia de adolescentes; mas o sonho que Deus teve para a sua criatura predileta".

Dizem que os santos do céu têm encargos e especialidades concretas. Pois já sei a quem vou pedir desde agora que deite uma mão às famílias com problemas. Deixa que te nomeie especial protector dos casais jovens, dos rapazes e raparigas que têm medo de se comprometerem, dos pais que se sentem incapazes de educar e orientar os seus filhos adolescentes… E sobretudo, agradece a Deus da nossa parte que esse seu sonho se tenha feito realidade na vida de milhões de famílias em todo o mundo.