Documentação
Como viveu a sua condição de sacerdote durante a guerra?

Pe. Josemaria Escrivá, 1937, Madrid
Durante a sua estadia em Madrid, desde 18 de Julho de 1936 até encontrar refúgio na Legação das Honduras, não teve outro remédio senão renunciar aos sinais externos do sacerdócio por causa da perseguição religiosa e, como muitos sacerdotes naquelas circunstâncias, viu-se obrigado a celebrar a Eucaristia de forma clandestina.
De qualquer modo, sempre que a ocasião o requeria, não duvidou em manifestar a sua condição sacerdotal para atender espiritualmente quem lho pedia, sabendo que com isso punha em risco a sua vida, já que podiam atraiçoá-lo e denunciá-lo por essa razão.
No dia 30 de Agosto de 1936, São Josemaria encontrava-se refugiado junto com Juan Jiménez Vargas em casa de uns conhecidos na rua de Sagasta de Madrid. Um deles, José Manuel Sainz de los Terreros, não sabia quem era o Pe. Josemaría, e anos mais tarde, recordava o que lhes aconteceu quando os milicianos entraram de improviso na casa para fazer um registo:
“Revistaram desde as caves até às águas-furtadas, começaram por inspeccionar as caves e depois passavam a cada um dos andares. Antes de chegarem ao nosso, por uma escada interior, subimos para umas águas-furtadas cheias de pó de carvão e de trastes, como todas as águas-furtadas. Não nos podíamos pôr de pé porque chegávams com a cabeça ao tecto. Fazia um calor insuportável. A certa altura ouvimos como entravam nas águas-furtadas do lado para fazer o registo.
Nesta situação, o Pe. Josemaria aproximou-se de mim e disse-me:
— Sou sacerdote; estamos em momentos difíceis; se quiseres, faz um acto de contrição e dou-te a absolvição.
Inexplicavelmente, depois de terem revistado a casa toda, não entraram naquelas águas-furtadas. Dizer-me que era sacerdote pressupôs muita valentia, já que podia ter tentado salvar a minha vida, acusando-o”.
— Cf. VÁZQUEZ DE PRADA, A., VÁZQUEZ DE PRADA, A., Josemaria Escrivá. Vol. II: Deus e audácia (trad. port.). Verbo, Lisboa, 2003, cap.IX.
Quando chegou à Legação das Honduras conseguiu desenvolver com menos incertezas a sua actividade sacerdotal, pregando e celebrando missa para os que estavam refugiados naquele lugar.
Continuou, a partir da Legação, a escrever cartas aos seus amigos e conhecidos, usando diversas siglas por causa da censura dos correios. Por exemplo, para se referir a Jesus Cristo escrevia “D. Manuel” e, para falar de si próprio, “O Avô”.
Lista de conteúdos
- Apresentação das fichas históricas
- Que relações tinha São Josemaria com o Dr. Suils? Porque se refugiou numa clínica psiquiátrica?
- Como viveu a sua condição de sacerdote durante a guerra?
- Porque decidiu fugir através dos Pirenéus?
- Quem suportou os gastos de Escrivá durante a guerra e pagou a passagem pelos Pirenéus?
- Como contactaram com os organizadores da travessia?
- Quem o acompanhou através dos Pirenéus? Quem era do Opus Dei e quem não era?
- Porque se mudou o Fundador para Burgos?
- Teve contactos em Burgos com Franco ou com membros importantes do franquismo?
- Onde e com quem residia em Burgos?
- Que dizia São Josemaria sobre os actos de represália do franquismo durante a guerra?
- Os fiéis do Opus Dei sofreram algum tipo de perseguição ou de represália política?
- Porque é que a Falange entrou em conflito com o Opus Dei no imediato pós-guerra?
- Que pensava Escrivá de Hitler e do nazismo?
- Porque se escondeu durante a guerra? Que espécie de pessoas o acolheram?
- É verdade que mataram outro sacerdote que confundiram com ele?
- Qual a sua atitude perante a acção de Franco durante a guerra?
- Quem denunciou Escrivá ao Tribunal para a repressão do Comunismo e da Maçonaria? Que aconteceu a essa denúncia?
- Quem o ajudou a atravessar os Pirenéus? Quanto receberam por isso?
- Por que razão afirma São Josemaria que fundou o Opus Dei em 1928, se nessa data a Obra ainda não contava com nenhum membro?
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