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Testemunhos

Dei um aperto de mão a um santo

Guillermo Perkins, professor de Política Empresarial do IAE, Escola de Negócios da Universidade Austral, Argentina

6 Fevereiro 2009

Etiquetas: Canonização, Vida corrente
Foi em Junho de 1974 que dei um aperto de mão a S. Josemaria Escrivá. Conheci-o pessoalmente na Argentina. O segundo encontro deu-se nada mais nada menos que na Praça de São Pedro no dia 6 de Outubro de 2002 quando o Papa o proclamou santo.

Constituiu um grande impacto para mim participar na canonização de uma pessoa que tive a oportunidade de conhecer quando se deslocou à Argentina em 1974. Nessa altura tive ocasião de ver S. Josemaria nas diversas reuniões ou tertúlias que então se organizaram. E para mais tive a sorte de o cumprimentar pessoalmente em La Chacra. Recebeu a família de Mercedes e eu que estava para casar com ela, ‘colei-me’. Dei-lhe um aperto de mão, e confirmei a naturalidade, a normalidade da sua vida. Era como estar com Jesus sem se dar conta.

O que mais me impressionou em Roma é que todos ali estávamos para o mesmo. Uma pessoa podia dar-se conta do bom ambiente que se respirava na Praça, da boa disposição para rezar. Apesar de não conhecer a língua, havia como que uma linguagem comum entre os milhares de pessoas que ali estavam: um sorriso, um olhar davam a entender que todos estávamos a viver o mesmo. Com o passar interiorizamos a transcendência desse acontecimento. Agora que tenho dois netos impressiona-me pensar que poderei contar-lhes o que significou para nós participar na canonização de um grande santo.

Não tenho dúvida que a viagem significou um esforço económico avultado, mas valeu a pena. Estar em Roma, centro da cristandade, foi um momento muito especial que compartilhei com Mercedes e três dos meus nove filhos.

De S. Josemaria recebi favores grandes e pequenos. Não conseguiria destrinçar a sua influência na minha vida, pois, quer a minha mulher quer eu, nos sentimos impregnados dos seus ensinamentos. Tenho confiança nele, é um intercessor no céu a quem acudo com frequência.

Há uma ideia que quase podia dizer ter colada ao corpo; é da homilia “Amar o mundo apaixonadamente” em que S. Josemaria diz: “Na linha do horizonte, meus filhos, parecem unir-se o céu e a terra. Mas não; onde se juntam deveras é nos vossos corações, quando viveis santamente a vida de cada dia”. Penso que me cabe a mim viver uma pequena parte do horizonte da humanidade e penso que lutar como cristão ajuda a que essa linha não seja tão entrecortada.

O facto de que cada um lutar por viver os valores cristãos como uma unidade faz com que eles irradiem e se multipliquem entre as pessoas com quem se dá, seja como professor do IAE, seja como chefe de uma organização humana tão encantadora como é a família.