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É fácil trabalhar rezando
13 Julho 2010
“Convencei-vos de que não é difícil converter o trabalho num diálogo de oração. Assim que o oferecemos e metemos mãos à obra, já Deus nos está a ouvir e a alentar. Assim, nós, no meio do trabalho quotidiano, conquistamos a maneira de ser das almas contemplativas!” D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei, na carta mensal de Julho, recorda como aprendeu de São Josemaria a converter o seu trabalho em oportunidade para tratar mais a Deus.
“Lembro-me das acções de graças que brotavam da alma do nosso Padre quando lia as cartas das suas filhas e dos seus filhos. Comoveu-se muito quando um camponês, um fiel da Obra, lhe dizia que se levantava muito cedo e pedia logo ao Senhor que o nosso Padre tivesse um sono descansado, acrescentando que depois, com o tractor, quando abria os sulcos na terra, rezava Lembrai-vos e outras orações. O nosso Fundador ficou muito contente ao confirmar a realidade de uma vida contemplativa no meio dos trabalhos do campo.”
Ser contemplativo não é estar em êxtase
São Josemaria repetiu esta doutrina, uma e outra vez, afirmando que a contemplação não é coisa de privilegiados. Algumas pessoas com conhecimentos elementares de religião – afirmava de maneira gráfica, para que ficasse bem gravado nos ouvintes – pensam que os contemplativos estão todo o dia como que em êxtase. E é uma ingenuidade muito grande. Os monges, nos seus conventos, têm o dia cheio de mil trabalhos: limpam a casa e dedicam-se a tarefas com que ganham a vida. Muitas vezes me escrevem religiosos e religiosas de vida contemplativa, com entusiasmo e afecto pela Obra, dizendo que rezam muito por nós. Compreendem o que muitos não compreendem: a nossa vida secular de contemplativos no meio do mundo, no meio das actividades temporais. A nossa cela é a rua. Essa é a nossa clausura. Onde se põe o sal? Havemos de procurar que nada fique insípido. Por isso o nosso retiro hão-de ser todas as coisas do mundo (São Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 30-X-1964).
A santidade não é só para alguns génios
Na Carta Apostólica que o Servo de Deus João Paulo II escreveu no início do novo milénio, apelando à santidade, lê-se: «Este ideal de perfeição não deve ser mal entendido, como se exigisse uma espécie de vida extraordinária, só exequível por alguns “génios” da santidade. Os caminhos da santidade são múltiplos e adequados à vocação de cada um (…). É a hora de propor de novo a todos, com convicção, esta “medida alta”da vida cristã diária. Toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direcção (João Paulo II, Novo Millennio ineunte, 6-I-2001, n. 31).
Convencei-vos de que não é difícil converter o trabalho num diálogo de oração. Assim que o oferecemos e metemos mãos à obra, já Deus nos está a ouvir e a alentar. Assim, nós, no meio do trabalho quotidiano, conquistamos a maneira de ser das almas contemplativas, porque nos conquista a certeza de que Deus nos olha, sempre que nos pede uma nova e pequena vitória: um pequeno sacrifício, um sorriso à pessoa importuna, começar pela tarefa menos agradável e mais urgente, ter cuidado com os pormenores de ordem, ser perseverante no dever quando era tão fácil abandoná-lo, não deixar para amanhã o que temos de acabar hoje... E tudo isto para dar gosto ao Nosso Pai Deus! Entretanto, talvez sobre a tua mesa ou num lugar discreto que não chame a atenção, para te servir de despertador do espírito contemplativo, pões o crucifixo, que já se tornou para a tua alma e para a tua mente o manual onde aprendes as lições de serviço (São Josemaria, Amigos de Deus, n. 67)
Para alcançar esta meta, além do auxílio da graça, requer-se um esforço pessoal constante, que muitas vezes se concretiza em pequenos detalhes: dizer uma jaculatória ou uma breve oração vocal aproveitando uma deslocação ou uma pausa na tarefa, dirigir um carinhoso olhar à imagem do crucifixo ou da Santíssima Virgem, que discretamente colocámos no nosso lugar de trabalho, etc. Tudo isto serve para manter viva na alma uma orientação de fundo para o Senhor, a qual procuramos fomentar quotidianamente na Missa e nos tempos dedicados expressamente à meditação. E assim, mesmo que em muitas ocasiões estejamos concentrados nas várias ocupações, porque a mente se dedica completamente às diversas tarefas, a alma continua presa ao Senhor, e mantém com Ele um diálogo que não é de palavras, nem sequer de pensamentos conscientes, mas de afectos do coração, do desejo de fazer tudo, até o mais trivial, por Amor, com o oferecimento daquilo que nos ocupa.
Carta completa do Prelado
“Lembro-me das acções de graças que brotavam da alma do nosso Padre quando lia as cartas das suas filhas e dos seus filhos. Comoveu-se muito quando um camponês, um fiel da Obra, lhe dizia que se levantava muito cedo e pedia logo ao Senhor que o nosso Padre tivesse um sono descansado, acrescentando que depois, com o tractor, quando abria os sulcos na terra, rezava Lembrai-vos e outras orações. O nosso Fundador ficou muito contente ao confirmar a realidade de uma vida contemplativa no meio dos trabalhos do campo.”
Ser contemplativo não é estar em êxtase
São Josemaria repetiu esta doutrina, uma e outra vez, afirmando que a contemplação não é coisa de privilegiados. Algumas pessoas com conhecimentos elementares de religião – afirmava de maneira gráfica, para que ficasse bem gravado nos ouvintes – pensam que os contemplativos estão todo o dia como que em êxtase. E é uma ingenuidade muito grande. Os monges, nos seus conventos, têm o dia cheio de mil trabalhos: limpam a casa e dedicam-se a tarefas com que ganham a vida. Muitas vezes me escrevem religiosos e religiosas de vida contemplativa, com entusiasmo e afecto pela Obra, dizendo que rezam muito por nós. Compreendem o que muitos não compreendem: a nossa vida secular de contemplativos no meio do mundo, no meio das actividades temporais. A nossa cela é a rua. Essa é a nossa clausura. Onde se põe o sal? Havemos de procurar que nada fique insípido. Por isso o nosso retiro hão-de ser todas as coisas do mundo (São Josemaria, Notas de uma reunião familiar, 30-X-1964).
A santidade não é só para alguns génios
Na Carta Apostólica que o Servo de Deus João Paulo II escreveu no início do novo milénio, apelando à santidade, lê-se: «Este ideal de perfeição não deve ser mal entendido, como se exigisse uma espécie de vida extraordinária, só exequível por alguns “génios” da santidade. Os caminhos da santidade são múltiplos e adequados à vocação de cada um (…). É a hora de propor de novo a todos, com convicção, esta “medida alta”da vida cristã diária. Toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direcção (João Paulo II, Novo Millennio ineunte, 6-I-2001, n. 31).
Convencei-vos de que não é difícil converter o trabalho num diálogo de oração. Assim que o oferecemos e metemos mãos à obra, já Deus nos está a ouvir e a alentar. Assim, nós, no meio do trabalho quotidiano, conquistamos a maneira de ser das almas contemplativas, porque nos conquista a certeza de que Deus nos olha, sempre que nos pede uma nova e pequena vitória: um pequeno sacrifício, um sorriso à pessoa importuna, começar pela tarefa menos agradável e mais urgente, ter cuidado com os pormenores de ordem, ser perseverante no dever quando era tão fácil abandoná-lo, não deixar para amanhã o que temos de acabar hoje... E tudo isto para dar gosto ao Nosso Pai Deus! Entretanto, talvez sobre a tua mesa ou num lugar discreto que não chame a atenção, para te servir de despertador do espírito contemplativo, pões o crucifixo, que já se tornou para a tua alma e para a tua mente o manual onde aprendes as lições de serviço (São Josemaria, Amigos de Deus, n. 67)
Para alcançar esta meta, além do auxílio da graça, requer-se um esforço pessoal constante, que muitas vezes se concretiza em pequenos detalhes: dizer uma jaculatória ou uma breve oração vocal aproveitando uma deslocação ou uma pausa na tarefa, dirigir um carinhoso olhar à imagem do crucifixo ou da Santíssima Virgem, que discretamente colocámos no nosso lugar de trabalho, etc. Tudo isto serve para manter viva na alma uma orientação de fundo para o Senhor, a qual procuramos fomentar quotidianamente na Missa e nos tempos dedicados expressamente à meditação. E assim, mesmo que em muitas ocasiões estejamos concentrados nas várias ocupações, porque a mente se dedica completamente às diversas tarefas, a alma continua presa ao Senhor, e mantém com Ele um diálogo que não é de palavras, nem sequer de pensamentos conscientes, mas de afectos do coração, do desejo de fazer tudo, até o mais trivial, por Amor, com o oferecimento daquilo que nos ocupa.
Carta completa do Prelado
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