Documentação
Relatos
Nossa Senhora do Loreto
Viagens marianas (3)

Nossa Senhora do Loreto
— Que disseste a Nossa Senhora?
— «Quer que lho diga?» E, perante um gesto do Padre, respondeu:
— «Pois repeti o que sempre digo, mas como se fosse pela primeira vez. Disse-lhe: peço-te o que te pede o Padre»
«Parece-me muito bem o que disseste — disse-lhe mais tarde o Pe. Josemaria. Repete-o muitas vezes».
Josemaria Escrivá esteve em Loreto pela primeira vez nos dias 3 e 4 de Janeiro de 1948. Mas o motivo pelo qual o fundador do Opus Dei se considerava especialmente em dívida para com Nossa Senhora do Loreto correspondia a uma gravíssima necessidade. Os anos 50 foram de muito sofrimento para Josemaria, devido a incompreensões e conflitos. No meio dessas dificuldades, decidiu ir a Loreto para se colocar sob a protecção da Virgem Maria.
Uma viagem especial: 15 de Agosto de 1951
“No dia 14 de Agosto de 1951 decide sair, por estrada, até Loreto” – conta Ana Sastre*- “ para ali estar no dia 15 e consagrar a Obra à Santíssima Virgem. O calor é sufocante e a sede far-se-á sentir durante o trajecto. Não havia auto-estrada. A estrada, traçada entre vales, sobe para escalar os Apeninos e desce, na última parte, até chegar ao Adriático.

A Santa Casa de Nazaré
O Santuário ergue-se sobre uma lomba coberta de loureiros – de onde lhe vem o nome. Estacionam na praça central e o Padre sai rapidamente do carro. Durante quinze ou vinte minutos, perdem-no no meio da gente que enche a Basílica. Por fim sai, depois de saudar a Virgem, sorridente e animado. São sete e meia e têm de voltar a Ancona para passarem a noite.
Na manhã seguinte, antes de o sol cair a pino voltam à estrada. Apesar de ser muito cedo, o Santuário está repleto. O Padre paramenta-se na sacristia e dirige-se para o altar da Casa de Nazaré para celebrar a Missa. O pequeno recinto está cheio de gente e o calor é sufocante.”
Santa Missa
“Sob as lâmpadas votivas, quer oficiar a Liturgia com toda a devoção. Mas não contou com o fervor da multidão neste dia de festa: «Enquanto eu beijava o altar, nos momentos prescritos pelas rubricas da Missa, três ou quatro camponesas beijavam-no ao mesmo tempo. Distraí-me, mas estava emocionado. E também me atraía a atenção, a lembrança de que naquela Santa Casa que a tradição assegura ser o lugar onde viveram Jesus, Maria e José – na mesa do altar, tinham gravado estas palavras: “Hic Verbum caro factum est”. Aqui, numa casa construída pela mão dos homens, num pedaço da terra em que vivemos, habitou Deus» (Cristo que passa, nº 12)
O fundador do Opus Dei com D. Álvaro del Portillo diante da Santa Casa
Uma invocação à Virgem Maria
O Padre saiu de Roma visivelmente cansado. Mas, ao regressar, parece renovado. Como se todos os obstáculos se tivessem dissolvido no caminho de Deus. Há alguns meses propôs aos seus filhos uma invocação dirigida à Mãe de Jesus; a partir desse dia repeti-la-ão para que haja continuamente almas que estejam a pedir a sua protecção: Cor Mariae dulcissimum iter para tutum! Coração dulcíssimo de Maria, prepara-nos um caminho seguro!

Fachada do Santuário de Nossa Senhora do Loreto
Foi à Santa Casa outras seis vezes: em 7-XI-953, 12-V-1955, 8-V-1960, 22-IV-1969, 8-V-1969 e a última em 8-V-1971. No dia 9 de Dezembro de 1973, véspera da festa de Nossa Senhora do Loreto, disse «Todas as imagens, todos os nomes, todas as invocações que o povo cristão dá a Santa Maria, parecem-me encantadoras. Mas em Loreto sinto-me especialmente devedor a Nossa Senhora».
*Ana Sastre, Tempo de Caminhar ((trad. port.), Lisboa, Diel, 1994, p. 417-418
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