Testemunhos

Nicolás nasceu com sindroma de Down
Socorro Ache de Viana, dona de casa
1 Janeiro 2009
Somos uma família numerosa com doze filhos, quatro raparigas e oito rapazes. Tivemos a sorte de o meu marido e eu conhecermos a Obra quando éramos noivos, e depois de nos casarmos fomos passar a lua-de-mel a Roma. Aí estivemos com D. Álvaro del Portillo, o primeiro sucessor de Mons. Escrivá, e ele disse-nos que oxalá Deus nos abençoasse com uma coroa de filhos.Como podem imaginar, em todas as famílias há filhos com os mais variados feitios. Desde madrugadores a dorminhocos, passando pelos despistados até aos que não se importam de trabalhar em qualquer sítio. Apaixonados, sentimentais ou ansiosos. Temos um pai economista e pescador e uma mãe administradora da casa e orientadora familiar; filhos que estudam engenharia e economia, outro que é futebolista profissional na 1ª divisão no Bella Vista, outros gémeos que gostam da vida no campo, outros que jogam rugby, ténis ou hóquei.
O que nunca teríamos pensado é que Nicolás, o nosso décimo primeiro filho, ia nascer com sindroma de Down. Quando Nicolás nasceu foi um alvoroço. Não entendíamos nada. O médico que o observou disse-nos que tinha de ser submetido a exames para confirmar se sofria de sindroma de Down. Assim estivemos dez dias até que se confirmou o diagnóstico.
Recordo que, uma semana antes de nascer o bebé, comentei o facto com um sacerdote dizendo que Deus tinha sido muito bom porque nos tinha dado dez filhos todos saudáveis; ao que ele me respondeu que Deus não ia deixar de ser bom se me mandasse um bebé com problemas.
Quando se confirmou o diagnóstico, chorei muito, mas ao mesmo tempo tive a certeza de que não estávamos sós e, se Deus nos tinha mandado o Nicolau, era porque era o melhor para a nossa família.
Ao princípio houve rebeldia. Porquê a nós que tínhamos confiado tanto em Deus? Porém, depois veio a paz e a confiança. Deus é pai e tudo o que nos sucede é para bem, embora o não entendamos. E começámos a ler muito sobre a sindroma de Down e a informar-nos. E vimos que estas crianças podem chegar muito longe. É preciso, sim, acreditar nelas, e ter muita confiança nelas.
Claro que dão um pouco mais de trabalho, e tememos que não sejam bem aceites e estejam, de certa forma, desprotegidas. Porém, que satisfação a nossa quando ele conseguiu gatinhar, andar, comer sozinho… cada etapa vencida pelo pequeno Nicolás enche de satisfação toda a família.
Também nos ajudou muito nesses momentos lembrarmo-nos da segurança que dava ao fundador da Obra o sentir-se filho de Deus. Apoiámo-nos muito no que disse S. Josemaria em “Forja”: “Jesus, sabendo que te amo e que me amas, nada mais importa: tudo corre bem”. Somos seus filhos e Ele sabe o que nos convém.
E essa cruz que, depois do parto, parecia tão grande, foi-se tornando mais pequenina. Os outros filhos sempre gostaram muito dele e até rezam a estampa de S. Josemaria quando queremos que Nicolás consiga fazer mais alguma coisa. E foi uma alegria muito grande quando um deles, enquanto estava no computador, levantou a cabeça e disse: “Como Nicolás conseguiu unir mais a nossa família!”
Agora vemos que em casa temos um tesouro que nos aproxima muito de Deus. E damo-nos conta que, como dizia o novo santo, Deus abençoa muitas vezes com a cruz.

Lista de conteúdos
- Giovanni Trapattoni, treinador de futebol, Itália
- Sempre em frente
- Conheci um homem que sabia amar
- Falar com Deus pelas ruas de Madrid
- Um pequeno livro que trago sempre comigo
- Monserrat Caballé, Soprano, Espanha
- Não podia guardar essa riqueza só para mim
- Nicolás nasceu com sindroma de Down
- Isto foi escrito a pensar em ti e em mim
- Padre, sou hebreu…
Português





Oração
RSS
FACEBOOK
YOUTUBE