São Josemaria
Textos de São Josemaria
O matrimónio: um caminho divino


“Pobre conceito tem do matrimónio - que é um sacramento, um ideal e uma vocação - quem pensa que o amor acaba quando começam as penas e os contratempos que a vida traz sempre consigo. É então que o amor se fortalece.” (São Josemaria Escrivá)
Apresentamos alguns textos de São Josemaria sobre o Matrimónio cristão:
”Encarar esperançadamente o futuro com fé sobrenatural não significa de modo algum ignorar os problemas. Pelo contrário: a fé é um novo acicate para a busca quotidiana de soluções, certeza de que nem a ciência nem a consciência de um cientista podem aceitar sem-razões de mentirosa eficácia que levem a negar o amor humano, a secar as fontes da vida, ao hedonismo subtil ou ao mais boçal materialismo, que sufocam a dignidade do homem e o fazem escravo da tristeza.
Salvarão este nosso mundo – permiti que o recorde - não os que pretendem narcotizar a vida do espírito, reduzindo tudo a questões económicas ou de bem-estar material, mas o que têm fé em Deus e no destino eterno do homem e sabem receber a verdade de Cristo como luz orientadora para a acção e para a conduta. Porque o Deus da nossa fé não é um ser longínquo, que contempla a sorte dos homens. É um Pai criador que transborda de carinho pelas suas criaturas. E concede ao homem o grande privilégio de poder amá-lo transcendendo assim o efémero e o transitório.
"As vidas humanas, que são santas, porque vêm de Deus, não podem ser tratadas como simples coisas, como números de uma estatística. Ao considerar a realidade profunda da vida, escapam-se do coração humano os seus afectos mais nobres. Com que amor, com que ternura, com que paciência infinita, contemplam os pais os seus filhos, inclusivamente antes de nascerem! E acaso não vive o teólogo igualmente a generosidade incansável, a atenção ao concreto, ou a serenidade de juízo, que esmiúça o sentido da palavra divina sobre a vida humana? Ou não é também a do médico espera entusiasmada, capacidade de intuição, agudeza de engenho, ao aplicar os remédios mais modernos para evitar o risco de uma doença congénita, que talvez ponha em perigo a vida da criatura ainda não nascida?" (Compromisso da verdade, in: Josemaria Escrivá e a Universidade, Coimbra, Almedina, 2003, p. 113-114)
Vou falar de algo que conheço bem e que é da minha experiência de sacerdote, de muitos anos e em muitos países. A maior parte dos sócios do Opus Dei vivem no estado matrimonial e, para eles, o amor humano e os deveres conjugais fazem parte da vocação divina. O Opus Dei fez do matrimónio um caminho divino, uma vocação, e isto tem muitas consequências para a santificação pessoal e para o apostolado. Há quase quarenta anos que prego o sentido vocacional do matrimónio. Que olhos cheios de luz vi mais de uma vez, quando - e pensando eles e elas que eram incompatíveis na sua vida a entrega a Deus e um amor humano nobre e limpo - me ouviam dizer que o matrimónio é um caminho divino na Terra!

“O amor puro e limpo dos esposos é uma realidade santa, que eu, como sacerdote, abençoo com ambas as mãos. A tradição cristã viu frequentemente na presença de Jesus nas bodas de Caná uma confirmação do valor divino do matrimónio: “O nosso Salvador foi às bodas - escreve S. Cirilo de Alexandria - para santificar o princípio da geração humana.” (Cristo que passa, n. 24)
O matrimónio existe para que aqueles que o contraem se santifiquem nele e através dele. Para isso, os cônjuges têm uma graça especial que o sacramento instituído por Jesus Cristo confere. Quem é chamado ao estado matrimonial, encontra nesse estado - com a graça de Deus - tudo o que é necessário para ser santo, para se identificar cada dia mais com Jesus Cristo e para levar ao Senhor as pessoas com quem convive.
É por isso que penso sempre com esperança e com carinho nos lares cristãos, em todas as famílias que brotaram do Sacramento do Matrimónio, que são testemunhos luminosos desse grande mistério divino - sacramentum magnum! (Ef. 5, 32), grande sacramento - da união e do amor entre Cristo e a sua Igreja. Devemos trabalhar para que essas células cristãs da sociedade nasçam e se desenvolvam com afã de santidade, com a consciência de que o sacramento inicial - o Baptismo - confere já a todos os cristãos uma missão divina, que cada um deve cumprir no caminho que lhe é próprio”. (‘Temas actuais do Cristianismo’. A mulher na vida do mundo e da Igreja, n. 91)
Tudo o que é preciso para serem santos
”Os esposos cristãos têm de ter consciência de que são chamados a santificar-se santificando, a ser apóstolos, e de que o seu primeiro apostolado está no lar. Devem compreender a obra sobrenatural que significa a fundação de uma família, a educação dos filhos, a irradiação cristã na sociedade. Desta consciência da própria missão dependem, em grande parte, a eficácia e o êxito da sua vida, a sua felicidade.
Mas não esqueçam que o segredo da felicidade conjugal está no quotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria íntima que dá a chegada ao lar; está no convívio carinhoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que colabora toda a família; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso encarar com desportivismo; e também no aproveitamento de todos os progressos que nos proporciona a civilização para tornar a casa agradável, a vida mais simples, a formação mais eficaz.
Nunca deixo de dizer aos que foram chamados por Deus a formar um lar que se amem sempre, que se queiram com o amor cheio de entusiasmo que tinham quando eram noivos. Pobre conceito tem do matrimónio - que é um sacramento, um ideal e uma vocação - quem pensa que o amor acaba quando começam as penas e os contratempos que a vida traz sempre consigo. É então que o amor se fortalece. As torrentes dos desgostos e das contrariedades não são capazes de submergir o verdadeiro amor. O sacrifício partilhado generosamente une mais. Como diz a Escritura, aquae multae - as muitas dificuldades, físicas e morais - non potuerunt extinguere caritatem (Cant. 8,7), não poderão apagar o amor.”. (‘Temas actuais do Cristianismo’. A mulher na vida do mundo e da Igreja, n. 91)

“Quem é chamado ao estado matrimonial, encontra nesse estado - com a graça de Deus - tudo o que é necessário para ser santo, para se identificar cada dia mais com Jesus Cristo e para levar ao Senhor as pessoas com quem convive.” (São Josemaria Escrivá)
”Pedi com ousadia ao Senhor este tesouro, esta virtude sobrenatural da caridade, para a exercitardes até ao último pormenor.
Nós, os cristãos, não temos sabido muitas vezes corresponder a esse dom; algumas vezes temo-lo rebaixado como se se limitasse a uma esmola dada sem alma, friamente; outras vezes temo-lo reduzido a uma atitude de beneficência mais ou menos convencional.
Para que, de uma forma gráfica, esta verdade ficasse bem gravada na vossa mente, preguei milhares de vezes que nós não temos um coração para amar a Deus e outro para amar as criaturas. Este nosso pobre coração feito de carne, ama com um carinho humano, que, se está unido ao amor de Cristo, também é amor sobrenatural. Essa, e não outra, é a caridade que temos de cultivar na alma, a qual nos levará a descobrir nos outros a imagem de Nosso Senhor.” (Amigos de Deus, n. 229)
DOCUMENTAÇÃO:
- O matrimónio vocação cristã 'Cristo que passa'
- Catecismo da Igreja Católica: "O sacramento do Matrimónio"
- Nota da Congregação da Doutrina da Fé sobre as declarações do Papa àcerca do uso do preservativo no livro "Luz do Mundo"
- Temas actuais do cristianismo. A mulher na vida do mundo e da Igreja Ponto 91
- Amigos de Deus. Com a força do amor Capítulo 14
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