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O que é o pecado?

Etiquetas: Doutrina, Ano da Fé
Com o relato da desobediência do mandato divino de não comer do fruto da árvore proibida, por instigação da serpente (Gn 3, 1-13), a Sagrada Escritura ensina que os nossos primeiros pais se rebelaram contra Deus, sucumbindo à tentação de querer ser como deuses.

Tentado pelo diabo, o homem deixou morrer no coração a confiança no seu Criador (cf. Gn 3, 1-11). Abusando da liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem (cf. Rm 5, 10). Daí em diante, todo o pecado será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança na sua bondade.
Catecismo da Igreja Católica, 397

O que é o pecado? Por que existe o pecado? É uma condenação? Que consequências tem no mundo? Como se apaga o pecado original? Apesar do pecado, Deus continua a amar o homem? Que consequências tem para o ser humano o seu pecado? O homem, com as suas forças apenas, pode sair do pecado? Por que razão depois do Batismo se torna a pecar? Como se pode evitar o pecado?


Gravura anónima do séc. XIX que representa Adão e Eva expulsos do paraíso.
Gravura anónima do séc. XIX que representa Adão e Eva expulsos do paraíso.
1. O que é o pecado original? Quando sucedeu?

A Escritura refere as consequências dramáticas desta primeira desobediência: Adão e Eva perdem imediatamente a graça da santidade original (cf. Rm 3, 23). Têm medo daquele Deus (cf. Gn 3, 910) de quem se fizeram uma falsa imagem: a dum Deus ciumento das suas prerrogativas (cf Gn 3, 5).
Catecismo da Igreja Católica, 399

A harmonia em que viviam, graças à justiça original, ficou destruída; o domínio das faculdades espirituais da alma sobre o corpo foi quebrado (Cf. Gn 3, 7); a união do homem e da mulher ficou sujeita a tensões (Cf. Gn 3, 11-13); as suas relações serão marcadas pela avidez e pelo domínio (cf. 3, 16). A harmonia com a criação desfez-se: a criação visível tornou-se, para o homem, estranha e hostil (cf. Gn 3, 17-19). Por causa do homem, a criação ficou sujeita «à servidão da corrupção» (Rm 8, 21). Enfim, vai concretizar-se a consequência explicitamente anunciada para o caso da desobediência (cf. Gn 2, 17): o homem «voltará ao pó de que foi formado» (Gn 3, 19). A morte faz a sua entrada na história da humanidade (cf Rm 5, 12).
Catecismo da Igreja Católica, 400


Contemplar o mistério

E o que é que impede esta humildade, este eudeusamento bom? A soberba. Esse é o pecado capital que leva ao eudeusamento mau. A soberba induz-nos a seguir, talvez até nas questões mais pequenas, a insinuação que Satanás fez aos nossos primeiros pais: abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal . Lê-se também na escritura que o princípio da soberba é afastar-se de Deus. Na verdade, este vício, uma vez arreigado, influi em toda a existência do homem, até se converter no que S. João chama superbia vitae, soberba da vida.
Soberba? De quê? A Escritura Santa mostra-nos alguns traços, simultaneamente trágicos e cómicos, para estigmatizar a soberba: de que te ensoberbeces, pó e cinza? Já em vida vomitas as entranhas. Uma ligeira enfermidade: o médico sorri. O homem que hoje é rei, amanhã estará morto.
Amigos de Deus, 99

Pelo caminho da humildade vai-se a toda a parte... Fundamentalmente, ao Céu.
Sulco, 282

2.Por que existe o pecado?

A «árvore de conhecer o bem e o mal» evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e confiadamente respeitar.
Deus criou o homem «à sua imagem» e constituiu-o na sua amizade. Criatura espiritual, o homem só pode viver esta amizade na modalidade da livre submissão a Deus. É isso o que exprime a proibição feita ao homem de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, «pois no dia em que o comeres, morrerás» (Gn 2, 17). A «árvore de conhecer o bem e o mal» (Gn 2, 17) evoca simbolicamente o limite intransponível que o homem, como criatura, deve livremente reconhecer e confiadamente respeitar. O homem depende do Criador. Está sujeito às leis da criação e às normas morais que regulam o exercício da liberdade.
Catecismo da Igreja Católica, 396

Tentado pelo Diabo, o homem deixou morrer no coração a confiança no seu Criador (cf Gn 3, 1-11). Abusando da liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem (cf Rm 5, 19). Daí em diante, todo o pecado será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança na sua bondade.
Catecismo da Igreja Católica, 397

Contemplar o mistério

Por amor à liberdade nos prendemos. Só a soberba sente nesses laços o peso de uma cadeia. A verdadeira humildade, que nos é ensinada por Aquele que é manso e humilde de coração, mostra-nos que o seu jugo é suave e a sua carga leve: o jugo é a liberdade; o jugo é o amor; o jugo é a unidade; o jugo é a vida que Ele ganhou para nós na Cruz.
Amigos de Deus, 31

A Igreja, nossa Santa Mãe, sempre se pronunciou pela liberdade e rejeitou todos os fatalismos, antigos ou menos antigos. Declarou que cada alma é dona do seu destino para bem ou para mal. E os que não se afastaram do bem irão para a vida eterna; os que cometeram o mal, para o fogo eterno. Impressiona-nos sempre esta terrível capacidade humana, tua e minha, de todos, que simultaneamente é o sinal da nossa nobreza. A tal ponto o pecado é um mal voluntário, que de nenhum modo seria pecado, se não tivesse o seu princípio na vontade; esta afirmação goza de tal evidência, que estão de acordo os poucos sábios e os muitos ignorantes que habitam no mundo. Volto a levantar o meu coração em ação de graças ao meu Deus, ao meu Senhor, porque nada o impedia de nos criar impecáveis, com um impulso irresistível para o bem; mas julgou que seriam melhores os seus servidores se o servissem livremente.
Amigos de Deus, 33

Deus fez o homem desde o princípio e deixou-o nas mãos do seu livre arbítrio (Ecli 15, 14). Isto não sucederia se não tivesse capacidade de fazer uma escolha livre. Somos responsáveis perante Deus por todas as ações que realizamos livremente. Não há anonimatos; o homem encontra-se perante o seu Senhor e está na sua vontade decidir-se a viver como amigo ou como inimigo. Assim começa o caminho da luta interior, que é empresa para toda a vida, porque enquanto dura a nossa passagem pela terra ninguém alcança a plenitude da sua liberdade.
Amigos de Deus, 36

3. O pecado original é uma condenação? Que consequências tem no mundo?

É São Paulo quem o afirma: «pela desobediência de um só homem, muitos [quer dizer, a totalidade dos homens] se tornaram pecadores» (Rm 5, 19): «Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram» (Rm 5, 12). A universalidade do pecado e da morte, o Apóstolo opõe a universalidade da salvação em Cristo: «Assim como, pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só [Cristo], virá para todos a justificação que dá a vida» (Rm 5, 18).
Catecismo da Igreja Católica, 402

Depois de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens, e a sua inclinação para o mal e para a morte não se compreendem sem a ligação com o pecado de Adão e o facto de ele nos ter transmitido um pecado de que todos nascemos infetados e que é «morte da alma» (Concílio de Trento: DS 1512).
Catecismo da Igreja Católica, 403

Contemplar o mistério

O mundo é bom. Foi o pecado de Adão que desfez a harmonia divina da criação. Mas Deus Pai enviou o seu Filho unigénito para restabelecer a paz, para que nós, tornados filhos de adoção, pudéssemos libertar a criação da desordem e reconciliar todas as coisas com Deus.
Cristo que passa, 112

Redimiu-o do pecado - do pecado de Adão que se propagou a toda a sua descendência e dos pecados pessoais de cada um - e deseja vivamente morar na nossa alma, como diz o Evangelho: se alguém Me ama, guardará a minha palavra, e Meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e faremos nele morada.
Cristo que passa, 84

Que grande é o amor, a misericórdia do nosso Pai! Perante esta realidade das suas loucuras divinas pelos filhos, gostaria de ter mil bocas, mil corações mais, que me permitissem viver num contínuo louvor a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo. Reparem que o Todo-Poderoso, Aquele que governa o Universo com a sua Providência, não deseja servos forçados, prefere filhos livres. Meteu na alma de cada um de nós - embora nasçamos proni ad peccatum, inclinados ao pecado pela queda dos nossos primeiros pais - uma chispa da sua inteligência infinita, a atração pelo bem, uma ânsia de paz perdurável. E leva-nos a compreender que a verdade, a felicidade e a liberdade se conseguem quando procuramos que germine em nós essa semente de vida eterna.
Amigos de Deus, 33

A Verdade, a felicidade e a liberdade conseguem-se quando procuramos que germine em nós essa semente de vida eterna.
4. Por que razão estamos todos implicados no pecado de Adão?

Todos os homens estão implicados no pecado de Adão. É São Paulo quem o afirma: «pela desobediência de um só homem, muitos [quer dizer, a totalidade dos homens] se tornaram pecadores» (Rm 5, 19): «Assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte atingiu todos os homens, porque todos pecaram» (Rm 5, 12). A universalidade do pecado e da morte, o Apóstolo opõe a universalidade da salvação em Cristo: «Assim como, pelo pecado de um só, veio para todos os homens a condenação, assim também, pela obra de justiça de um só Cristo. virá para todos a justificação que dá a vida» (Rm 5, 18).
Catecismo da Igreja Católica, 402

Contemplar o mistério

Não temos de estranhar. Trazemos em nós mesmos - consequência da natureza decaída - um princípio de oposição, de resistência à graça: são as feridas do pecado original, agravadas pelos nossos pecados pessoais. Portanto, temos de empreender as ascensões, as tarefas divinas e humanas - as de cada dia - que sempre desembocam no Amor de Deus, com humildade, com coração contrito, fiados na assistência divina e dedicando os nossos melhores esforços, como se tudo dependesse de nós mesmos.
Amigos de Deus, 214

O Deus da nossa fé não é um ser longínquo, que contempla com indiferença a sorte dos homens, os seus afãs, as suas lutas, as suas angústias. É um pai que ama os seus filhos até ao ponto de enviar o Verbo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, a fim, com a sua encarnação, morrer por nós e nos redimir. É ele ainda o mesmo Pai amoroso que agora nos atrai suavemente para Si, mediante a ação do Espírito Santo que habita nos nossos corações.
Cristo que passa, 84

5. Como se apaga o pecado original?

«No momento em que fazemos a nossa primeira profissão de fé, ao receber o santo Batismo que nos purifica, o perdão que recebemos é tão pleno e total que não fica absolutamente nada por apagar, quer da falta original, quer das faltas cometidas de própria vontade por ação ou omissão; nem qualquer pena a suportar para as expiar [...]. Mas apesar disso, a graça do Batismo não isenta ninguém de nenhuma das enfermidades da natureza. Pelo contrário, resta-nos ainda combater os movimentos da concupiscência, que não cessam de nos arrastar para o mal» (Catecismo Romano, 1, 11, 3).
Catecismo da Igreja Católica, 978

Contemplar o mistério

É uma maravilha essa maternidade sobrenatural da Igreja que o Espírito Santo lhe confere.
A Igreja santifica-nos, depois de entrarmos no seu seio pelo Batismo. Recém-nascidos para a vida natural, já nos podemos acolher à graça santificadora. A fé de um e, mais ainda, a fé de toda a Igreja, beneficia a criança pela ação do Espírito Santo, que dá unidade à Igreja e comunica os bens de um a outro (S. TOMÁS, S. Th. III, q.68, a.9 ad 2). É uma maravilha essa maternidade sobrenatural da Igreja que o Espírito Santo lhe confere. A regeneração espiritual, que se opera pelo Batismo, é semelhante, de certo modo, ao nascimento corporal: assim como as crianças que estão no seio da sua mãe não se alimentam por si mesmas, mas se nutrem do sustento da mãe, assim também os meninos que ainda não têm o uso da razão e estão como crianças no seio da sua Mãe a Igreja, pela ação da Igreja e não por si próprias recebem a salvação (S. TOMÁS, S. Th. III, q.68, a.9 ad 1).
Amar a Igreja, 31

Gostaria que considerássemos agora esse manancial de graça divina dos Sacramentos, maravilhosa manifestação da misericórdia de Deus. Meditemos devagar a definição que se insere no Catecismo de S. Pio V: determinados sinais sensíveis , que causam a graça e, ao mesmo tempo, a declaram, como que pondo-a diante dos olhos. Deus Nosso Senhor é infinito e o seu amor é inesgotável, a sua clemência e a sua piedade para connosco não admitem limites. E embora nos conceda a sua graça de muitos outros modos, instituiu expressa e livremente - só Ele podia fazê-lo - estes sete sinais eficazes, para que os homens possam participar dos méritos da Redenção, duma maneira estável, simples e acessível a todos.
Cristo que passa 78

6. Por que razão depois do Batismo se torna a pecar?

Depois de São Paulo, a Igreja sempre ensinou que a imensa miséria que oprime os homens, e a sua inclinação para o mal e para a morte não se compreendem sem a ligação com o pecado de Adão e o facto de ele nos ter transmitido um pecado de que todos nascemos infetados e que é «morte da alma» (Concílio de Trento DS 1512). A partir desta certeza de fé, a Igreja confere o Batismo para a remissão dos pecados, mesmo às crianças que não cometeram qualquer pecado pessoal (Concílio de Trento DS 1514).
Catecismo da Igreja Católica, 403

Embora próprio de cada um (cf. Ibid., DS 1513), o pecado original não tem, em qualquer descendente de Adão, caráter de falta pessoal. É a privação da santidade e justiça originais, mas a natureza humana não se encontra totalmente corrompida: está ferida nas suas próprias forças naturais, sujeita à ignorância, ao sofrimento e ao império da morte, e inclinada ao pecado (inclinação para o mal, que se chama "concupiscência"). O Batismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e reorienta o homem para Deus, mas as consequências para a natureza, enfraquecida e inclinada para o mal, persistem no homem e convidam-no ao combate espiritual.
Catecismo da Igreja Católica, 405

Contemplar o mistério

Enquanto pelejamos - uma peleja que durará até à morte - não excluas a possibilidade de que se levantem, violentos, os inimigos de fora e de dentro. E, como se fosse pequeno o lastro, às vezes, acumular-se-ão na tua mente os erros cometidos, talvez abundantes. Em nome de Deus te digo: não desesperes. Quando isso suceder - não tem necessariamente que suceder, nem será o habitual - converte essa ocasião num motivo para te unires mais com o Senhor; porque Ele, que te escolheu como filho, não te abandonará. Permite a prova, para que ames mais e descubras com mais clareza a sua contínua proteção, o seu Amor.
Ele, que te escolheu como filho, não te abandonará
Amigos de Deus, 214

O mundo, o Demónio e a carne são uns aventureiros que, aproveitando-se da fraqueza do selvagem que trazes dentro de ti, querem que, em troca do fictício brilho dum prazer - que nada vale - Ihes entregues o ouro fino e as pérolas e os brilhantes e os rubis embebidos no Sangue vivo e redentor do teu Deus, que são o preço e o tesouro da tua eternidade.
Caminho, 708

- "Que pouco esperto parece o diabo!, dizias-me. Não entendo a sua estupidez: sempre os mesmos enganos, as mesmas falsidades!...".
Tens toda a razão: Mas nós, os homens, somos ainda menos espertos, e não aprendemos a escarmentar em cabeça alheia... E satanás conta com tudo isso para nos tentar.
Sulco, 150

Reprodução de O regresso do filho pródigo, de Rembrandt.
Reprodução de O regresso do filho pródigo, de Rembrandt.
7. Apesar do pecado, Deus continua a amar o homem?

Depois da queda, o homem não foi abandonado por Deus. Pelo contrário, Deus chamou-o (cf. Gn 3, 9) e anunciou-lhe, de modo misterioso, que venceria o mal e se levantaria da queda (cf. Gn 3, 15). Esta passagem do Génesis tem sido chamada «Proto-Evangelho» por ser o primeiro anúncio do Messias redentor, do combate entre a Serpente e a Mulher, e da vitória final dum descendente desta.
Catecismo da Igreja Católica, 410

Contemplar o mistério

Mas Deus é Amor. O abismo de malícia, que o que o pecado encerra, foi vencido por uma Caridade infinita. Deus não abandona os homens. Os desígnios divinos previram que, para reparar as nossas faltas, para restabelecer a unidade perdida, não bastavam os sacrifícios da Antiga Lei: tornou-se necessária a entrega de um homem que fosse Deus. Podemos imaginar - para nos aproximarmos de algum modo deste mistério insondável - que a Trindade Santíssima se reúne em conselho na sua contínua relação íntima de amor imenso e, como resultado de uma decisão eterna, o Filho Unigénito de Deus-Pai assume a nossa condição humana, carrega sobre Si as nossas misérias e as nossas dores, para acabar pregado com cravos num madeiro.
Cristo que passa, 95

8. Quando se diz que Jesus Cristo venceu o pecado, que se quer dizer?

A Tradição cristã vê nesta passagem um anúncio do «novo Adão» (cf. 1 Co 15,21-22.45) que, pela sua «obediência até à morte de cruz» (Fl 2, 8), repara super abundantemente a desobediência de Adão (cf. Rm 5,19-20). Por outro lado, muitos santos Padres e Doutores da Igreja vêem na mulher, anunciada no proto-Evangelho, a Mãe de Cristo, Maria, como «nova Eva». Ela foi a primeira a beneficiar, dum modo único, da vitória sobre o pecado alcançada por Cristo: foi preservada de toda a mancha do pecado original (308) e, durante toda a sua vida terrena, por uma graça especial de Deus, não cometeu qualquer espécie de pecado (cf. Concílio de Trento: DS 1573).
Catecismo da Igreja Católica, 411

Libertação e salvação. Pela sua cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha numa situação de escravatura. «Foi para a liberdade que Cristo nos libertou» (Gl 5, 1). N'Ele, nós comungamos na verdade que nos liberta (Jn 8, 32). Foi-nos dado o Espírito Santo e, como ensina o Apóstolo, «onde está o Espírito, aí está a liberdade» (2 Cor 3, 17). Já desde agora nos gloriamos da «liberdade dos filhos de Deus» (Rm 8,21).
Catecismo da Igreja Católica, 1741

Contemplar o mistério

A entrega generosa de Cristo enfrenta-se com o pecado, essa realidade dura de aceitar, mas inegável: o mysterium iniquitatis, a inexplicável maldade da criatura que se ergue, por soberba, contra Deus. A história é tão antiga como a Humanidade. Recordemos a queda dos nossos primeiros pais; depois, toda essa cadeia de depravações que marcam a marcha dos homens; finalmente, as nossas rebeldias pessoais. Não é fácil considerar a perversidade que o pecado representa e compreender tudo o que a Fé nos ensina. Temos de ter presente que, mesmo no plano humano, a grandeza da ofensa se mede pela condição do ofendido, pelo seu valor pessoal, pela sua dignidade social, pelas suas qualidades. E o homem ofende a Deus: a criatura renega o seu Criador.
Cristo que passa, 95

- Para salvar o homem, Senhor, morres na Cruz; e, contudo, por um só pecado mortal, condenas o homem a uma eternidade infeliz de tormentos...: quanto te ofende o pecado, e quanto devo odiá-lo!
Forja, 1002

9. O homem apenas com as suas forças pode salvar-se?

O Batismo confere a quem o recebe a graça da purificação de todos os pecados. Mas o batizado tem de continuar a lutar contra a concupiscência da carne e os desejos desordenados. Com a graça de Deus, consegue-o.
Catecismo da Igreja Católica, 2520

Contemplar o mistério

A experiência da nossa debilidade e das nossas faltas, a desedificação que pode produzir o espetáculo doloroso da pequenez ou mesmo mesquinhez de alguns que se chamam cristãos, o aparente fracasso ou a desorientação de algumas iniciativas apostólicas, tudo isso - a comprovação da realidade do pecado e das limitações humanas - pode constituir, no entanto, uma provação para a nossa fé e fazer com que se insinuem em nós a tentação e a dúvida: onde estão a força e o poder de Deus? É o momento de reagirmos, de pormos em prática da maneira mais pura e firme a nossa esperança e, portanto, de procurarmos ser mais firme na nossa fidelidade.
É o momento de reagirmos, de pormos em prática da maneira mais pura e firme a nossa esperança e, portanto, de procurarmos ser mais firme na nossa fidelidade
Cristo que passa, 128

S. Pedro escreve: por Jesus Cristo, Deus deu-nos as maiores e mais preciosas graças que tinha prometido, para nos fazer participantes da natureza divina (2 Ped I, 4). Esta nossa divinização não significa que deixemos de ser humanos... Homens, sim, mas com horror ao pecado grave. Homens que abominam as faltas veniais e que, se experimentam diariamente a sua fraqueza, conhecem também a fortaleza de Deus. Assim, nada poderá deter-nos: nem os respeitos humanos, nem as paixões, nem esta carne que se rebela porque somos uns velhacos, nem a soberba, nem... a solidão. Um cristão nunca está sozinho. Se te sentes abandonado, é porque não queres olhar para esse Cristo que passa tão perto... talvez com a Cruz.
Via Sacra, 6.3

10. Quando ofendo a Deus, como me perdoa?

Neste combate contra a inclinação para o mal, quem seria suficientemente forte e vigilante para evitar todas as feridas do pecado? «Portanto, se era necessário que a Igreja tivesse o poder de perdoar os pecados, era também necessário que o Batismo não fosse para ela o único meio de se servir destas chaves do Reino dos céus que tinha recebido de Jesus Cristo; era necessário que fosse capaz de perdoar as faltas a todos os penitentes que tivessem pecado, até mesmo ao último dia da sua vida» (Catecismo Romano, 1, 11, 4).
Pormenor do filho abraçado pelo pai, da pintura de Rembrandt
Pormenor do filho abraçado pelo pai, da pintura de Rembrandt
Catecismo da Igreja Católica, 979

É pelo sacramento da Penitência , que o batizado pode ser reconciliado com Deus e com a Igreja: «Os Santos Padres tiveram razão quando chamaram à Penitência um "batismo laborioso" (S. Gregório Nazianzeno, Oratio 39, 17). Este sacramento da Penitência é necessário para a salvação daqueles que caíram depois do Batismo, tal como o próprio Batismo o é para os que ainda não foram regenerados» (Concílio de Trento: DS 1672).
Catecismo da Igreja Católica, 980

Contemplar o mistério

Não te esqueças, filho, que para ti na Terra só há um mal, que deves temer, e, com a graça de Deus, evitar: o pecado.
Caminho, 386

De novo às tuas antigas loucuras!... E depois, quando regressas, sentes-te com pouca alegria, porque te falta humildade. Parece que te obstinas em desconhecer a segunda parte da parábola do filho pródigo, e ainda continuas apegado à pobre felicidade das bolotas. Soberbamente ferido pela tua fragilidade, não te decides a pedir perdão, e não reparas que, se te humilhares, te espera o jubiloso acolhimento do teu Pai, Deus: a festa do teu regresso e do teu recomeço!
Sulco, 65

11. Como se pode evitar o pecado?

O Espírito Santo permite-nos discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior (cf Lc 8, 13-15; Act 14, 22; 2 Tm 3, 12) em vista duma virtude «comprovada» (Rm 5, 3-5) e a tentação que conduz ao pecado e à morte (cf St 1, 14-15). Devemos também distinguir entre «ser tentado» e «consentir» na tentação. Finalmente, o discernimento desmascara a mentira da tentação: aparentemente, o seu objeto é «bom, agradável à vista, desejável» (Gn 3, 6), quando, na realidade, o seu fruto é a morte.
Outro pormenor do quadro O regresso do filho pródigo: o filho volta arrependido à casa do pai.
Outro pormenor do quadro O regresso do filho pródigo: o filho volta arrependido à casa do pai.
Catecismo da Igreja Católica, 2847

«Não entrar em tentação» implica uma decisão do coração: «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração [...] Ninguém pode servir a dois senhores» (Mt 6, 21, 24). «Se vivemos pelo Espírito, caminhemos também segundo o Espírito» (Gl 5, 25). É neste «consentimento» ao Espírito Santo que o Pai nos dá a força. «Não vos surpreendeu nenhuma tentação que tivesse ultrapassado a medida humana. Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças, mas, com a tentação, vos dará os meios de sair dela e a força para a suportar» (1 Cor 10, 13).
Catecismo da Igreja Católica, 2848

Contemplar o mistério

Temos de nos esforçar para que da nossa parte não fique nem sombra de hipocrisia. O primeiro requisito para desterrar esse mal que o Senhor condena duramente, é procurar comportar-se com a disposição clara, habitual e atual de aversão ao pecado. Com fortaleza, com sinceridade, temos de sentir - no coração e na cabeça - horror ao pecado grave. E também há-de ser nossa a atitude, profundamente arreigada, de abominar o pecado venial deliberado, essas claudicações que não nos privam da graça divina, mas que debilitam as vias através das quais ela nos chega.
Amigos de Deus, 243

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